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DIÁRIO DE BORDO

Paragens Super Sónicas

18/8/2018

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Começámos o dia em separado, já que a Sara teve que ir a Leça com a mãe. Aproveitou então a boleia de carro para fazer umas paragens por certos sons que ainda estavam em falta na sua lista. Ficaram as duas a averiguar se o elétrico que o Babo usava para ir e vir da escola ainda existia. “Já há tempos que acabaram com parte disso”, explicava a Irene, que dirigia o carro em direção à Foz Velha, segura de que iriam encontrar a linha do elétrico ainda presente. Sorte nossa foi que à chegada estava parado o dito veículo - agora de utilidade quase exclusivamente turística - patrocinado pelo El Corte Inglés. Não se sabe se a “corte” cá no Porto é dos ingleses, ou se é dos espanhóis, ou mesmo dos franceses, contudo, este elétrico, que certamente já é português, estava coberto de azulejos “tradicionais”, que se faziam notar em autocolantes colados por todas as suas faces visíveis. Mal o equipamento ficou montado e pronto a gravar, o sino de começo de viagem dava sinal aos passageiros, mesmo a tempo do enquadramento que focava os carris e as rodas fugazes que depressa correram com a aparição. A Irene substituia agora o Rodrigo com o Zoom, e mostrava as suas aptidões no trabalho da captura sonora.

Já que estavam perto, dirigiram-se para a frente do mar, e andaram pelo passadiço quase até ao farol descrito pela Leonor. À Sara fez-lhe lembrar um trabalho que fez, já lá vão uns três anos, em que também andou a deambular pela cidade em busca de imagens aquosas e de pedra, o que a fez dirigir-se ao mesmo lugar do imaginário da Leonor. Realmente é um sítio único em que o trabalho feito pelo homem, na tentativa de controlar as águas, se faz notar pelas ondas que chegam velozmente e que depressa se tornam banhos calmos e límpidos aos pés de qualquer banhista oportuno. A Irene, entusiasmada com a paisagem, comentava em sussurro uma data de coisas interessantes, eternamente ignorando porém o facto de que a sua voz entraria na gravação que ela mesmo estava a fazer do ambiente. “Sim, o sussurro ouve-se quando estamos perto do microfone!”, tentava explicar a Sara. Ponderou depois que, às tantas, a sua mãe poderia fazer parte do ambiente sonoro que se criava, já que é do Porto e poderia muito bem ter ido ali fazer praia por decisão autónoma…

Adiante, pegaram no carro, com a Sara no assento do passageiro, já que se esquecera da carta em Londres, ou fez por se esquecer… Entre trânsito e sinais, lá chegaram à última paragem sónica - a tal cidade que se faz desenrolar em som à medida que o dia vai crescendo - situada mais precisamente, pelo Molarinho, no Campo Alegre. A música original que nos tocara uns dias antes - sobre gaivotas e pombas - descrevia o início do que seria a captura do som em tal espaço, mas chegando ao local da paisagem, esta sentia-se muito tranquila. O sol batia no cinzento do cimento que se estendia, e só lá ao longe andava uma pomba perdida e solitária. Montámos pela última vez o equipamento, com o tripé e a câmara arrebitados, mas cada vez que um enquadramento se proporcionava, lá a dita pomba se mexia com as suas pequenas patinhas marchantes. Por fim, a Sara optou por sacar um plano mais extenso, metade muro metade passeio, e lá observou mais um pouco a pomba, que prosseguia - talvez nem perdida de todo - que nem cowboy [cowpigeon?] via horizonte, seguida duma velhinha que usava a parede como apoio ao andar.

À noite, após muito trabalho adiantado lá no Sol, fomos todos ao Palácio de Cristal para mais um concerto da Porta Jazz. Depois, na companhia do Marco, da Daniela e do Francisco, parámos lá em casa do João e da Lena para um resto de noite líquida que se estendeu até às tantas! Isto agora vai ter de abrandar…
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    Autores

    Rodrigo B. Camacho
    Sara Rodrigues

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